A Insatisfação na Vitória: O Caso do Fluminense

Entre a premiação milionária e a pobreza técnica, o Tricolor avança "apesar de si mesmo" sob o protesto ensurdecedor das arquibancadas.

Por Ana Martins

2026-05-13T16:50:12.893Z

O Maracanã recebeu a partida de volta da quinta fase da Copa do Brasil 2026 sob uma atmosfera de desconfiança que se confirmaria ao apito final. Após o empate melancólico em 0 a 0 no Estádio Germano Krüger, em Ponta Grossa, o Fluminense entrou em campo com o peso da obrigação de despachar o Operário-PR. O cenário era cristalino: qualquer resultado que não fosse uma vitória convincente diante de sua torcida seria lido como um sinal de alerta para a sequência da temporada sob o comando de Luis Zubeldía.

A etapa inicial, contudo, indicava um roteiro de tranquilidade. O domínio tricolor foi traduzido em gols cedo, dando a falsa impressão de que a noite seria de gala. Logo aos 9 minutos, Lucho Acosta foi derrubado na área; Savarino assumiu a responsabilidade e, com a frieza que lhe é habitual, converteu o pênalti no canto esquerdo. Aos 36, o Fluminense ampliou com o próprio Acosta, que recebeu um passe açucarado de Nonato, limpou o goleiro Vágner com elegância e empurrou para as redes. O 2 a 0 no intervalo parecia selar o destino paranaense

No entanto, o segundo tempo revelou a face instável deste Fluminense. O que deveria ser uma goleada protocolar transformou-se em um drama desnecessário, alimentado pela displicência de John Kennedy, que desperdiçou um novo pênalti ao carimbar o travessão. O desequilíbrio emocional quase custou caro quando o árbitro expulsou Lucho Acosta; o sopro de vida e o alívio momentâneo vieram apenas do monitor do VAR, que corrigiu o cartão para amarelo e impediu que o time ficasse com um a menos precocemente.

O castigo pela apatia veio aos 37 minutos da etapa final, expondo as cicatrizes defensivas da equipe. Em uma falha crassa de posicionamento e tempo de bola, o zagueiro Jemmes permitiu que Felipe Augusto aproveitasse a sobra para diminuir a vantagem, injetando uma tensão elétrica no Maracanã. A reação dos visitantes só foi contida aos 42 minutos, quando Edwin Torres recebeu o segundo amarelo e foi expulso, deixando o Operário-PR sem fôlego para buscar o empate que levaria a decisão para os pênaltis.

Ao fim do jogo, o paradoxo tomou conta do estádio. Enquanto a diretoria celebrava o aporte de R$ 3 milhões em premiação garantido pela CBF, a torcida ignorava o sucesso financeiro e despejava vaias sonoras sobre os atletas. A classificação para as oitavas de final foi conquistada, mas o futebol apresentado deixou um gosto amargo de derrota técnica. O Fluminense avança, mas carrega consigo a urgência de corrigir a fragilidade defensiva e a inconstância que transformaram um triunfo certo em uma vitória contestada.

Resumo da Performance

Gols do Fluminense: Savarino (9' 1T) e Lucho Acosta (36' 1T)

Gols do Operário-PR: Felipe Augusto (37' 2T)

Ocorrências Disciplinares: Expulsão de Edwin Torres (Operário-PR)

Ponto Crítico: Pênalti perdido por John Kennedy (bola no travessão)

Premiação Garantida: R$ 3 milhões pela classificação às oitavas

Próximos Passos

Acompanhar o sorteio da CBF para definição do chaveamento das oitavas de final. Preparação para a próxima fase, prevista para agosto, após o encerramento da Copa do Mundo. Reajustar o foco para o Campeonato Brasileiro, buscando equilíbrio entre a solidez defensiva e a eficiência ofensiva.