A Queda dos Gigantes: O Impacto da Eliminação do São Paulo e a Demissão de Roger Machado
O vexame histórico no Alfredo Jaconi interrompe o projeto tricolor e força a diretoria a buscar um novo comando para o restante da temporada 2026
Por Marcus Moraes
O adeus precoce e traumático do São Paulo na Copa do Brasil 2026 selou o destino de uma comissão técnica sob pressão. Na noite de 13 de maio de 2026, o Tricolor Paulista viu sua vantagem desaparecer em Caxias do Sul ao ser derrotado por 3 a 1 pelo Juventude , em duelo válido pela 5ª fase da competição. Após a vitória magra por 1 a 0 no Morumbi, com gol de Luciano , o time paulista sucumbiu diante da equipe gaúcha, que garantiu a classificação para as oitavas de final com um placar agregado de 3 a 2.
A derrocada tática no Estádio Alfredo Jaconi expôs a fragilidade do esquema proposto pelo São Paulo . Mesmo com a vantagem do empate, a equipe permitiu que o Juventude dominasse as ações e construísse a virada com gols de Gabriel Pinheiro , Marcos Paulo e Mandaca . O gol de honra anotado por Tapia , já na reta final da partida, foi insuficiente para conter o desastre. A passividade tricolor em campo e a incapacidade de reagir à pressão dos donos da casa transformaram o sonho do título em um vexame de proporções continentais.
A consequência foi imediata: Roger Machado não é mais o técnico do São Paulo . O treinador foi demitido ainda nos vestiários após o apito final, desgastado por um "plano conservador" que, segundo análises internas, não apenas recuou excessivamente o time, mas efetivamente "desmontou o meio-campo" tricolor. O diretor de futebol Rui Costa assumiu a responsabilidade pela crise e confirmou que a instituição já iniciou a busca por um novo nome para liderar a reformulação necessária no Morumbi.
Além do abalo moral, a queda precoce gera um rombo financeiro nos planos da diretoria. Ao ser eliminado na 5ª fase, o São Paulo deixa de faturar a premiação de R$ 3 milh õ es destinada aos clubes que avan çam às oitavas de final . O clube encerra sua participa ção tendo garantido apenas os R$ 2 milhões pela participação nesta etapa, um valor considerado irrisório diante das expectativas de orçamento para a temporada e do peso da camisa tricolor.
Em contrapartida, o Juventude celebra o sucesso esportivo e financeiro. Para o clube gaúcho, que disputa a Série B, a vaga nas oitavas de final representa um fôlego vital. A diretoria de Caxias do Sul confirmou que o aporte de R$ 3 milhões será integralmente reinvestido para reforçar o elenco na busca pelo acesso à elite do futebol nacional, transformando o "crime" cometido contra um gigante em combustível para o restante do ano.
A eliminação do São Paulo não foi um fato isolado em uma rodada marcada por "zebras" e instabilidade dos favoritos. O revés tricolor acompanhou as quedas surpreendentes do Bahia , superado pelo Remo no Mangueirão, e do Red Bull Bragantino , que foi despachado pelo Mirassol . Entretanto, o impacto no Morumbi é maior: o São Paulo carrega o fardo de ser o primeiro grande gigante da Série A a cair nesta edição, uma marca negativa expressiva para os clubes da elite que estrearam diretamente nesta 5ª fase.
O cenário agora é de incerteza e pressão popular. Enquanto o Juventude aguarda o sorteio da CBF para conhecer seu adversário nas oitavas de final — que ocorrerão apenas em agosto, após a pausa para a Copa do Mundo —, o São Paulo mergulha em um "inverno amargo". Sem treinador e fora de uma das competições mais rentáveis do país, o clube terá o hiato do Mundial para tentar estancar a crise e acalmar uma torcida que exige respostas imediatas da gestão.
Agora, o foco total do Juventude se volta para o sorteio que definirá o chaveamento das oitavas de final. Já o São Paulo precisa de um diagnóstico rápido para não comprometer o restante do calendário. A saída de Roger Machado é apenas o primeiro passo de uma engrenagem que precisará ser totalmente reconstruída se o clube quiser evitar que a temporada 2026 termine em um completo esquecimento.