A Revanche do Papão: O Caminho Bicolor para o Trono da Copa Norte contra o Nacional-AM

Com o orgulho ferido pelo revés na primeira fase, o Alviceleste aposta na fase iluminada de Ítalo e na mística da Curuzu para reconquistar a soberania regional.

Por Ana Martins

2026-05-09T02:47:32.610Z

O reencontro entre Paysandu Sport Club e Nacional-AM na grande final da Copa Norte carrega um simbolismo que vai muito além da disputa por uma taça. O torcedor bicolor ainda guarda na memória o amargo revés por 7 a 0 sofrido durante a fase de grupos, um placar elástico que, embora construído sobre um elenco composto majoritariamente por garotos da base, feriu o orgulho da Curuzu . Agora, com a decisão do título em jogo, o cenário é de mobilização total para o que está sendo encarado como a verdadeira revanche para lavar a alma da Fiel.

O clima de decisão tomou conta de Belém, e a expectativa nos corredores da Almirante Barroso é de um confronto eletrizante. A torcida do Paysandu , motor incansável do clube, não aceita nada menos que o topo do pódio para apagar aquela imagem negativa. Diferente do primeiro encontro, o Lobo entra em campo com outra postura e com seus principais guerreiros, focado em consolidar sua hegemonia regional em um momento em que cada vitória é um fôlego extra na reconstrução da instituição.

O Paysandu chega a esta final embalado por uma fase avassaladora, tendo carimbado seu passaporte para a decisão com uma goleada impiedosa de 5 a 1 sobre o Águia de Marabá na semifinal. O desempenho recente do time comandado por Júnior Rocha demonstra um equilíbrio crescente entre defesa e ataque. A confiança está em alta, sustentada por uma sequência de resultados que prova que o elenco profissional está pronto para encarar o desafio amazonense de igual para igual.

Entre os pilares dessa fase positiva, destaca-se o faro de gol de Ítalo , o camisa 9 que já soma 11 gols na temporada e ameaça recordes pessoais. A experiência também fala alto com o lateral Edilson , que está prestes a completar a histórica marca de 150 jogos pelo clube. No entanto, os olhos do mercado estão voltados para a joia de 18 anos, Pedro Henrique ; a revelação do Parazão 2026 é alvo de uma proposta de R$ 1,5 milhão do Estrela Amadora , de Portugal, e sua permanência é o grande triunfo da diretoria para esta final.

Taticamente, o Paysandu reflete a filosofia de Júnior Rocha , que prioriza a construção de jogo desde a defesa, com saída de bola curta e paciência. Operando no 4-3-3, a equipe busca sufocar o adversário com uma pressão alta constante. Nesse esquema, Ítalo exerce um papel vital: além de finalizador, ele é o "ponto de respiro", o pivô que segura a marcação e permite a infiltração dos pontas abertos e dos meias que chegam como surpresa no campo de ataque.

Contudo, o caminho para a glória exige superação dos obstáculos extracampo. O clube atravessa um processo de Recuperação Judicial para gerir uma dívida de R$ 71 milhões, apostando em um plano agressivo de reestruturação que propõe um abatimento (haircut) de até 85% para credores cíveis. Somado a isso, o setor defensivo perdeu Yeferson Quintana para o futebol tailandês; o uruguaio acionou uma cláusula contratual que permitia sua saída gratuita para o exterior, obrigando Márcio Tuma e sua diretoria a buscarem soluções caseiras para a zaga.

Do outro lado do campo, o adversário impõe o respeito de quem fez a melhor campanha. O Nacional-AM , conhecido como o Gavião do Norte , somou 13 pontos na fase classificatória, com 14 gols marcados e apenas um sofrido. Por ter a liderança geral, o time amazonense ganhou o direito regulamentar de decidir a ordem dos mandos, optando por fechar a fatura em seus domínios. É o teste definitivo para a defesa alviceleste segurar o ímpeto de um rival que chega invicto para o duelo.

A logística das finais já está definida e promete parar o Norte do Brasil. O primeiro jogo da decisão ocorrerá em Belém, no dia 20 de maio, enquanto o duelo final será em Manaus, no dia 27 de maio. O presidente Márcio Tuma ainda avalia a possibilidade de transferir a partida de ida para o Mangueirão ( Estádio Olímpico do Pará ), visando comportar a imensa massa bicolor e transformar o "Colosso do Bengui" em um caldeirão de pressão contra os amazonenses.

Desta vez, o Paysandu irá com força máxima, determinado a transformar o trauma do 7 a 0 em uma página virada com a conquista do troféu. Com o elenco profissional focado e o apoio da arquibancada, o Lobo sabe que sua maior força reside na simbiose com seu povo. A torcida bicolor, o maior ativo da instituição, será o combustível necessário para que o grito de campeão ecoe novamente na Curuzu , selando de vez a tão esperada revanche.