A "Síndrome do Segundo Tempo": Brusque recua e tropeça fora de casa

Mesmo com o empate em 1 a 1, o Quadricolor sustenta a invencibilidade e o lugar no G-4, mas o recuo excessivo na etapa final liga o sinal de alerta tático.

Por Marcus Moraes

2026-05-05T16:47:41.503Z

Em partida válida pela 5ª rodada da Série C do Campeonato Brasileiro , o Brusque visitou o Volta Redonda no Estádio Raulino de Oliveira e saiu de campo com um empate em 1 a 1. O resultado, embora mantenha a invencibilidade catarinense na competição, evidenciou uma perigosa dualidade de desempenho entre os tempos, frustrando a expectativa da torcida de assumir a liderança isolada da tabela.

O Brusque impôs seu ritmo desde o apito inicial, apresentando uma organização tática impecável e explorando transições rápidas pelos flancos. A superioridade foi traduzida em gol logo aos 11 minutos: Petterson realizou boa jogada individual pela esquerda e desferiu um cruzado rasteiro preciso para Adrianinho , que infiltrou na área para finalizar com eficiência e abrir o placar para o Quadricolor.

O domínio poderia ter resultado em uma vantagem mais confortável ainda na primeira etapa. Enquanto Macário desperdiçou uma chance clara dentro da área, o sistema defensivo catarinense mostrava as primeiras fissuras quando Wagninho acertou a trave em chute de longa distância. Mesmo com esse susto, o controle do meio-campo permitia ao time de Santa Catarina ditar o volume de jogo e neutralizar as investidas cariocas.

Contudo, o retorno para o intervalo trouxe a materialização da "síndrome do segundo tempo". O Brusque abdicou da posse de bola e recuou suas linhas para um bloco baixo , permitindo que o Volta Redonda concentrasse suas ações ofensivas nos corredores laterais . Essa passividade tática sobrecarregou a primeira linha de marcação e atraiu o adversário perigosamente para o campo de defesa do Quadricolor.

O castigo pela postura excessivamente conservadora chegou aos 35 minutos da etapa final. Após um cruzamento vindo da direita e um corte parcial da defesa, a bola sobrou para Pedro Costa , que acertou um chute forte da entrada da área para empatar. A virada do time da casa só não ocorreu devido à performance segura do goleiro Matheus Nogueira , que garantiu o ponto fora de casa com intervenções cruciais nos minutos finais.

Na coletiva pós-jogo, o técnico Higo Magalhães lamentou a "desatenção" coletiva no lance do gol, mas buscou equilibrar o discurso. O comandante valorizou a manutenção da invencibilidade e destacou a evolução do grupo em um torneio marcado pelo equilíbrio extremo, reforçando que somar pontos como visitante é fundamental para as pretensões de classificação no longo prazo.

Com o empate, o Brusque atingiu os 11 pontos, consolidando-se na 3ª posição da tabela. O clube permanece firme no G-4, atrás apenas de Amazonas e Paysandu nos critérios de desempate, especificamente pelo saldo de gols (+3 contra +6 dos paraenses e +7 dos amazonenses). A regularidade neste início de certame é um trunfo psicológico, mas exige ajustes no comportamento da equipe sob pressão.

O Quadricolor agora volta suas atenções para o reencontro com sua torcida no Estádio Augusto Bauer . O próximo compromisso está marcado para o domingo (10), às 19h30, contra o Ypiranga (RS) . A missão será corrigir as oscilações técnicas e físicas para converter o domínio territorial em vitórias, garantindo a permanência no topo da Série C .