Colapso no Barradão: A hemorragia de cartões que sepulta o tático do Coritiba
Líder isolado em expulsões na Série A, o Coxa vê o trabalho de Fernando Seabra sucumbir a uma vulnerabilidade psicológica que custou caro diante do Vitória.
Por Marcus Moraes
O desastre sofrido pelo Coritiba no Barradão, na 14ª rodada do Campeonato Brasileiro, não pode ser lido meramente como um revés técnico. A goleada por 4 a 1 imposta pelo Vitória foi selada por mais um episódio de colapso estrutural causado pela indisciplina. O ponto de virada negativo ocorreu aos 27 minutos do primeiro tempo, quando o zagueiro Tiago Cóser foi expulso diretamente após falta em Renê. O erro não foi apenas disciplinar, mas tático: da cobrança de falta originada por essa expulsão, Zé Vitor marcou o segundo gol baiano, destruindo qualquer estratégia de resistência que o Alviverde pudesse sustentar.
A análise fria dos dados da CBF revela uma tendência alarmante que coloca o Coritiba como o "campeão" de cartões vermelhos da competição. São 7 expulsões em apenas 14 jogos, uma média insustentável de um desfalque por cartão vermelho a cada duas partidas. O contraste com o restante da liga é gritante: enquanto o Coritiba acumula sete exclusões, o Corinthians vem em segundo com seis, e o próprio Vitória, algoz da rodada, ostenta apenas uma expulsão em todo o campeonato. Com 19 pontos e ocupando a 8ª posição, o Coxa apresenta um saldo de gols negativo (-1) que reflete a fragilidade de uma equipe que joga constantemente em inferioridade numérica.
Sob o comando de Fernando Seabra, o deficit tático torna-se crônico devido à impossibilidade de repetir escalações ou manter o desenho defensivo por 90 minutos. A expulsão de Cóser forçou um recuo de linhas que o time não conseguiu coordenar, deixando espaços que resultaram na goleada. A instabilidade emocional transparece em erros técnicos infantis sob pressão, exemplificados pelo pênalti cometido pelo experiente Maicon ao tocar a mão na bola no segundo tempo. Sem equilíbrio psicológico, o esquema de Seabra deixa de ser uma proposta de jogo para se tornar um exercício de sobrevivência.
A crise transborda o gramado e entra na esfera jurídica, ameaçando o núcleo defensivo do elenco. Os jogadores Jacy e Bruno Melo enfrentam julgamento no STJD por "jogada violenta", uma ameaça judicial que pode desmantelar o setor para a sequência da temporada. Em caso de punição máxima, o Coritiba perderia peças fundamentais até o período pós-Copa do Mundo, privando o treinador de qualquer chance de construir uma base sólida e consistente para o restante do Brasileirão 2026.
Para Fernando Seabra, o desafio imediato vai além das pranchetas; é necessário estancar a hemorragia disciplinar que vitima o clube. A crise de nervos deixou de ser um detalhe estatístico para se tornar o principal adversário do Coritiba na Série A. Enquanto o elenco não controlar os impulsos e as reações em campo, o potencial técnico da equipe continuará sendo sabotado por punições evitáveis, impedindo que o Alviverde lute por postos mais ambiciosos na tabela de classificação.