Crise no Almeidão: Botafogo-PB demite Lisca e aposta no atual campeão para salvar o acesso

Após derrota dolorosa para o Floresta e ataques frontais vindos dos bastidores, o Belo busca estabilidade tática e psicológica com a chegada de Marcelo Fernandes

Por Marcus Moraes

2026-04-30T02:17:30.115Z

O Botafogo-PB encerrou de forma abrupta o ciclo do técnico Lisca após o tropeço na 4ª rodada da Série C 2026. A derrota por 2 a 1 para o Floresta-CE, sofrida em pleno Estádio Almeidão, foi o estopim para uma queda que já se desenhava pela falta de consistência coletiva. Para um time que ambiciona o acesso, um aproveitamento de apenas 50% nas primeiras rodadas é uma armadilha perigosa, e a diretoria optou por interromper o trabalho antes que o dano fosse irreversível na tabela de classificação.

A demissão, contudo, destampou um caldeirão de tensões que ultrapassa as quatro linhas. Ruy Cabeção, ex-coordenador do clube e figura de trânsito livre nos bastidores, utilizou suas redes sociais para disparar críticas pesadas, mencionando "mau-caratismo" e prometendo que "verdades" viriam à tona. Como analista, é impossível ignorar o peso dessas palavras vindo de um ex-membro da cúpula técnica; elas sugerem que o problema do Belo não era apenas um 4-4-2 mal ajustado, mas um ambiente contaminado que exige uma limpeza psicológica profunda.

Para estancar essa sangria, a aposta em Marcelo Fernandes é estratégica. O treinador desembarca em João Pessoa com o selo de atual campeão da Série C (pelo título conquistado com a Ponte Preta), trazendo a experiência de quem sabe gerir vestiários sob pressão máxima. A diretoria busca um "choque de gestão" imediato, esperando que o prestígio de um técnico vencedor neutralize a instabilidade externa e devolva o foco aos atletas, transformando a indignação dos bastidores em competitividade dentro de campo.

No cenário atual, o Botafogo-PB ocupa a 7ª posição com seis pontos, uma colocação que mascara uma fragilidade latente. O ponto fora da curva tem sido o meia Nenê, que, aos 44 anos, segue provando sua classe ao figurar entre os artilheiros da competição com três gols marcados. Entretanto, o "fator Nenê" sozinho não tem sido suficiente para compensar uma defesa exposta, evidenciando que Marcelo Fernandes precisará, prioritariamente, equilibrar o sistema defensivo para que o brilho individual de seu camisa 10 não seja desperdiçado em novos revés domésticos.

A realidade estatística da Série C 2026 mostra que o Belo está no limite da zona de conforto. Enquanto os líderes disparam, o time paraibano vê a sombra de rivais que estão fora do G8, mas colados na pontuação. Com apenas dois pontos de vantagem sobre o Santa Cruz (13º colocado), qualquer novo erro pode significar um mergulho para a parte de baixo da tabela, destruindo o planejamento de acesso ainda no primeiro semestre.

Amazonas: 100% de aproveitamento (12 pontos e liderança isolada) Brusque: 83,3% de aproveitamento (10 pontos, consolidado no topo) Botafogo-PB: 50% de aproveitamento (6 pontos, mesma pontuação de Maringá e Guarani)

O próximo compromisso será uma autêntica "prova de fogo" em Belém. No dia 03 de maio, o Belo visita o Paysandu no Estádio da Curuzu. Trata-se de um jogo de seis pontos: o Papão soma 8 pontos e ocupa a 3ª colocação. Uma vitória fora de casa não apenas reabilita o Botafogo-PB na tabela, permitindo ultrapassar um concorrente direto, mas também oferece a Marcelo Fernandes o lastro de confiança necessário para trabalhar sem o fantasma das polêmicas externas.

Resta saber se a troca de comando será o remédio para o "mau-caratismo" citado por Ruy Cabeção ou se foi apenas um paliativo para uma crise estrutural. Em uma Série C tão equilibrada, onde a distância entre o G8 e o Z2 é mínima, a agilidade de Marcelo Fernandes em blindar o elenco será tão importante quanto seus treinos táticos. O Botafogo-PB tem material humano para subir, mas precisa, urgentemente, decidir se quer ser notícia pelas vitórias de Nenê ou pelas farpas de seus ex-dirigentes.