Crise no Coelho: América-MG Amarga Lanterna Isolada e Pressão na Série B

Sem vencer após seis rodadas, equipe mineira vê pressão aumentar sobre o técnico Roger Silva e luta para interromper o calvário na degola.

Por Marcus Moraes

2026-04-27T02:44:23.990Z

O América-MG atravessa um momento catastrófico na Série B do Campeonato Brasileiro de 2026. Após o encerramento da 6ª rodada, o clube mineiro ocupa a 20ª posição na tabela, figurando como o lanterna isolado da competição. Com apenas 2 pontos conquistados em 18 possíveis, o retrospecto é alarmante: são zero vitórias, dois empates e quatro derrotas. O cenário negativo é agravado pelo pior saldo de gols do certame (-7), refletindo a incapacidade crônica da equipe em equilibrar suas atuações e somar pontos vitais para a permanência na divisão.

A derrota recente por 1 a 0 para a Ponte Preta, no Estádio Moisés Lucarelli, foi o retrato fiel da frustração americana, temperada por erros capitais da arbitragem que selaram o destino do jogo. O atacante William Pottker, que já possuía cartão amarelo, atingiu o zagueiro Nathan Cardoso com uma braçada no rosto aos 42 minutos da etapa inicial; ignorado pelo árbitro Lucas Casagrande, Pottker permaneceu em campo para marcar o gol da vitória apenas um minuto depois. A indignação mineira atingiu o ápice no segundo tempo, quando Segovinha foi travado por Kevyson dentro da área em um lance de penalidade clara não assinalada, consolidando o revés em Campinas sob fortes protestos da delegação alviverde.

O principal gargalo do Coelho nesta temporada é a sua extrema fragilidade defensiva, um problema que nem mesmo o brilho individual tem conseguido mascarar. Atualmente, o time detém o posto de pior defesa da Série B, tendo sofrido 10 gols em apenas seis partidas disputadas. Esse desequilíbrio no setor recuado é tão latente que anula até os esforços de Gonzalo Mastriani, artilheiro da equipe com 3 gols na competição. Apesar do faro de gol do uruguaio, a passividade defensiva impede que o elenco sustente resultados positivos, transformando cada compromisso em uma luta inglória contra vazamentos táticos que condenam o time à lanterna.

Na tentativa de estancar a sangria, a diretoria promoveu uma troca no comando técnico, mas o "choque de gestão" ainda não entregou o escudo defensivo esperado. Roger Silva assumiu a equipe no dia 13 de abril, herdando a vaga de Alberto Valentim, demitido após a derrota para o Novorizontino na 4ª rodada. No entanto, mesmo sob nova orientação técnica, o time mineiro segue sem saber o que é vencer na competição. A mudança de nomes à beira do gramado ainda não foi suficiente para corrigir as falhas estruturais de posicionamento que assombram o elenco, evidenciando que a crise técnica e emocional do grupo é mais profunda do que o inicialmente previsto.

O clima de tensão é nítido e já transborda para o comportamento do banco de reservas. Durante o revés contra a Macaca, a insatisfação com a condução do jogo levou o técnico Roger Silva a aplaudir a arbitragem de forma irônica, gesto que reflete o colapso psicológico de um time acuado. Estacionado na última colocação, o América-MG divide o Z4 com o CRB (também com 2 pontos), mas já vê a distância para os demais rivais da degola aumentar perigosamente; Londrina e Náutico, com 5 e 6 pontos respectivamente, começam a abrir vantagem, o que torna a missão de saída da zona de rebaixamento uma corrida contra o tempo e contra a própria instabilidade.

O próximo desafio do Coelho será fora de casa contra a Chapecoense, em partida válida pela Copa Sul-Sudeste. Embora seja um compromisso por um torneio paralelo, o confronto é encarado como uma decisão para tentar recuperar o brio dos jogadores e do torcedor. A urgência de uma vitória é absoluta para interromper o calvário que a equipe vive na Segunda Divisão e iniciar uma tentativa de recuperação tática imediata. Somente um triunfo em Santa Catarina poderá dar o fôlego necessário para que Roger Silva reorganize a casa e evite que o América se torne um passageiro da agonia rumo à Série C.