O Crepúsculo do Ídolo: Bastidores e Crise Selam o Fim da Era Hulk no Atlético-MG

Fora do clássico contra o Flamengo, atacante rompe com Eduardo Domínguez e expõe fragilidade política da SAF na Cidade do Galo.

Por Marcus Moraes

2026-04-27T01:54:21.356Z

A confirmação do corte de Hulk para o duelo contra o Flamengo, pela 13ª rodada do Brasileirão 2026, é mais do que uma baixa técnica; é a certidão de óbito de uma era vitoriosa. Como vinha sendo costurado nos bastidores, o atacante já negocia sua transferência para um rival direto no futebol brasileiro, um movimento que concretiza o melancólico "fim de ciclo" vaticinado pelo próprio atleta. O divórcio, agora público, retira do campo o maior símbolo recente do clube justamente no momento em que a instituição se vê desprovida de bússola tática e liderança diretiva.

A erosão da relação atingiu o ponto de não retorno após o desabafo explosivo do jogador após a partida contra o Ceará, pela Copa do Brasil. Hulk não apenas questionou abertamente as escolhas táticas do técnico Eduardo Domínguez, como escancarou vísceras do cotidiano do clube que a diretoria tentava abafar sob o manto do sigilo corporativo. Ao expor pendências internas e ranhuras profundas no vestiário, o camisa 7 fraturou a hierarquia de comando, transformando sua presença em um elemento de instabilidade que a comissão técnica e a gestão da SAF não souberam neutralizar.

Na manhã deste sábado (25/04/2026), a cúpula atleticana tentou uma última cartada em uma reunião de emergência na Cidade do Galo. O encontro, que reuniu o peso político de Rafael Menin (SAF), além de Paulo Bracks e Pedro Daniel, buscou uma trégua que se provou impossível. O diálogo, descrito formalmente como "franco", foi na prática o reconhecimento de uma paralisia institucional. Nem a influência dos sócios majoritários foi capaz de reter o ídolo, que se sentiu desprotegido diante do clima de hostilidade e dos protestos da torcida que marcaram os últimos dias em Belo Horizonte.

O desfecho da trajetória de Hulk ocorre sob um cenário de terra arrasada no aspecto esportivo. O Atlético-MG amarga a 15ª posição na tabela, com pífios 14 pontos conquistados, reflexo direto do trauma sofrido na rodada anterior: o atropelamento por 4 a 0 imposto pelo Flamengo em plena Arena MRV. A iminente saída do atacante não é um fato isolado, mas o sintoma terminal de um projeto que ruiu sob instabilidade técnica crônica. Em 2026, o Galo não perde apenas seu artilheiro; perde a identidade em meio a uma crise política que ameaça o próprio futuro da temporada.