O Drama do Santos e o Fantasma do Z4: Peixe entra na zona de rebaixamento após vitória do rival

Empate contra o Bahia e triunfo do Corinthians sobre o Vasco empurram o Alvinegro Praiano para a 17ª posição na 13ª rodada do Brasileirão 2026.

Por Marcus Moraes

2026-04-27T02:06:23.862Z

O sinal de alerta virou sirene na Vila Belmiro. O Santos atravessa seu momento mais crítico na temporada 2026 do Campeonato Brasileiro após o empate por 2 a 2 contra o Bahia, na Arena Fonte Nova. O resultado deixou o Alvinegro Praiano estagnado nos 14 pontos após 13 jogos — uma campanha pífia de apenas três vitórias, cinco empates e cinco derrotas. O que antes era tratado como uma ameaça distante tornou-se o pior dos pesadelos: o "Fantasma do Z4" agora habita os corredores do clube, com o Peixe ocupando oficialmente a indigesta 17ª posição.

A queda para a "zona do agrião" foi sacramentada pelos resultados paralelos, com requintes de crueldade vindos de Itaquera. A vitória magra do Corinthians por 1 a 0 sobre o Vasco foi o gatilho específico que empurrou o Santos para o abismo. Embora a pontuação seja a mesma de Internacional (16º) e Atlético-MG (15º), o Peixe sucumbe nos critérios de desempate da CBF. O time da Vila fica atrás do Galo pelo número de vitórias (4 contra 3 do Santos) e perde para o Colorado no saldo de gols (-2 contra -3). É o retrato de um sistema defensivo frágil e um ataque que não tem compensado as brechas deixadas no setor de trás.

Essa crise na Vila é o subproduto de um 2026 marcado pela instabilidade e decisões erráticas. O ano começou com a queda precoce de Juan Pablo Vojvoda, demitido em março, e segue agora sob a batuta de Cuca, que herdou um elenco de nomes pesados, mas de rendimento nulo. Há uma ironia dramática em ver Gabigol — estrela emprestada pelo Cruzeiro — e o zagueiro Lucas Veríssimo, contratados para elevar o patamar técnico da equipe, lutando diretamente contra a degola. A enorme expectativa gerada por esses reforços de impacto agora se transforma em uma pressão asfixiante, evidenciando a incapacidade da gestão em converter prestígio individual em pontos na tabela.

O horizonte santista é sombrio e exige uma reação imediata que beira o milagroso. O próximo compromisso pelo Brasileirão é nada menos que o clássico contra o líder Palmeiras, um duelo que ganha contornos de decisão sob uma carga emocional insuportável. Para piorar, o Santos divide atenções com uma campanha preocupante na Copa Sul-Americana, onde ocupa a quarta posição do grupo e precisará buscar sobrevida contra o San Lorenzo, na Argentina. A urgência de uma guinada é total; sem uma mudança de postura drástica, o drama da zona de rebaixamento pode se consolidar como um trágico destino permanente neste 2026.