O Fenômeno Alex Choco: Da 'Suburbana' ao Topo do Brasil

Com 19 gols na temporada, o atacante do Operário-MS supera o flamenguista Pedro e se consolida como a maior eficiência ofensiva do país em 2026.

Por Marcus Moraes

2026-04-30T02:28:51.247Z

Enquanto os holofotes da Série A miram as estrelas de orçamentos milionários, os números frios de 2026 apontam para uma realidade paralela no Mato Grosso do Sul. O atual artilheiro do Brasil não veste as cores de um gigante do Eixo Rio-São Paulo, mas sim a camisa do Operário-MS. Com uma média impressionante de 0,95 gol por partida, Alex Choco soma 19 gols em 20 jogos, uma anomalia estatística que o coloca à frente de Pedro, do Flamengo, que registra 15 gols em 21 confrontos. O choque nas planilhas de desempenho revela um matador que encontrou o ápice da forma física e técnica longe da elite.

A trajetória deste londrinense de 24 anos é um testemunho de resiliência e preparo técnico. Em 2024, Alex Choco viveu uma experiência singular na "Suburbana" de Curitiba, defendendo o Novo Mundo. Longe de ser apenas um torneio recreativo, a liga amadora da capital paranaense é um ambiente de alta competitividade que funciona como um laboratório semi-profissional. Para Choco, esse período entre contratos profissionais foi o que o manteve "calejado" e em ritmo de jogo, permitindo que ele mantivesse o faro de gol apurado mesmo fora dos grandes centros.

O currículo itinerante de Choco reflete a realidade de quem desbrava o interior do país em busca da afirmação. O atacante é fruto de uma base sólida, com passagens pelo PSTC e Corinthians, antes de percorrer o "interior profundo" do Paraná e de São Paulo. De clubes como Arapongas, Toledo e City London-PR, até experiências no VOCEM-SP, Taquaritinga-SP e Figueirense, cada parada lapidou o centroavante que hoje domina as áreas sul-mato-grossenses. Sua passagem pelo Bataguassu-MS serviu como o cartão de visitas final para a transferência ao Operário-MS.

A chegada ao novo clube, em abril, foi marcada por um contraste fascinante entre o marketing modesto e a eficiência de elite. Anunciado de forma criativa dentro de um "ovo de chocolate" no domingo de Páscoa, Alex Choco ignorou a pressão e entregou resultados imediatos: são 4 gols em apenas 5 partidas pelo "Galo". O ponto alto desta adaptação fulminante foi o hat-trick anotado contra o Primavera-AC, pela Copa Centro-Oeste, provando que sua liderança na artilharia nacional não é fruto do acaso, mas de um posicionamento tático agressivo e letalidade na conclusão.

Este desempenho ganha ainda mais relevância quando inserido no contexto de uma Série D em plena transformação. Em 2026, a quarta divisão nacional expandiu-se para 96 clubes e conta com novas cotas de participação da CBF — R$ 500 mil iniciais por equipe. Esse aporte financeiro elevou o nível competitivo do torneio, transformando a Série D em um ecossistema mais profissional e visível. É neste cenário de crescente exigência técnica que Choco se destaca como o principal "outside hitter" do futebol brasileiro, desafiando a hierarquia estabelecida.

A ascensão de Alex Choco simboliza a força latente das divisões de acesso e o valor estratégico do futebol paranaense na formação de atletas. Ver um jogador que há pouco tempo disputava ligas amamentadas pela tradição da Suburbana de Curitiba superar nomes de seleção brasileira é um lembrete de que o talento, quando aliado à regularidade, não conhece divisões. O momento de Choco é um convite para que o mercado nacional olhe com mais rigor analítico para os gramados do interior, onde o próximo grande goleador pode estar apenas aguardando a oportunidade certa para explodir.