O "Freguês" de 2026? Remo e Bahia decidem vaga na Copa do Brasil sob amplo domínio azulino

Com vantagem de dois gols e retrospecto avassalador na temporada, Leão Azul recebe o Tricolor no Mangueirão sob alerta de temporal e pressão sobre Rogério Ceni.

Por Marcus Moraes

2026-05-13T17:09:27.329Z

Nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, o Estádio Mangueirão, em Belém, recebe às 21h30 o capítulo final do confronto entre Remo e Bahia pela 5ª fase da Copa do Brasil. Para o analista de dados, o termo "freguesia" ganha lastro estatístico: em apenas três jogos neste ano, o Leão Azul impôs um agregado de 7 a 2 sobre o Esquadrão (4 a 1 no Brasileirão e 3 a 1 na ida deste mata-mata). O impacto é profundo: o sistema defensivo de Rogério Ceni ostenta uma média de 2,33 gols concedidos por partida diante dos paraenses em 2026, um cenário que obriga o time baiano a uma eficiência ofensiva que não demonstrou até aqui.

Para o Remo, a partida é o portal para encerrar um hiato de 23 anos sem chegar às oitavas de final da competição nacional. Sob o comando de Léo Condé, a equipe vive seu melhor momento, embalada pela recuperação na Série A após vencer o Botafogo (2 a 1) e arrancar um empate do líder Palmeiras (2 a 2). Embora conte com a vantagem de perder por até um gol de diferença, Condé terá que gerir as ausências clínicas do lateral-direito João Lucas e dos atacantes Gabriel Taliari e Eduardo Melo, buscando manter a intensidade que castigou o Bahia na Arena Fonte Nova.

O clima no Fazendão é de urgência máxima e crise técnica. O Bahia chega a Belém carregando um jejum de cinco jogos sem vitórias, o maior da equipe nesta temporada, o que coloca o cargo de Rogério Ceni sob forte contestação. O desafio de reverter o placar é agravado por um departamento médico lotado: o goleiro Ronaldo, o zagueiro Kanu, o volante Caio Alexandre e o atacante Willian José estão fora por lesão. Além deles, a joia Ruan Pablo cumpre suspensão automática, deixando o treinador sem uma de suas principais peças de velocidade para tentar o improvável.

Para avançar, o Tricolor precisará desafiar a lógica e a sua própria história no torneio, superando dois obstáculos que nunca transpôs anteriormente:

Classificar-se em solo adversário após ter sido derrotado no jogo de ida como mandante. Reverter uma desvantagem de dois gols em qualquer fase eliminatória da Copa do Brasil.

A análise tática encontra um complicador externo: o "inverno amazônico". O INMET emitiu um alerta amarelo com previsão de 30mm/h de chuva e ventos de 60km/h para o horário do jogo. Historicamente, o gramado do Mangueirão sofre com drenagem em temporais — como visto nos atrasos contra o Palmeiras e na interrupção diante do Vasco. Um campo pesado e encharcado favorece o jogo reativo do Remo e pune a necessidade de circulação de bola do Bahia, tornando a missão de marcar três gols uma tarefa hercúlea em um terreno que promete estar impraticável.

A sobrevivência no torneio vale R$ 3 milhões em premiação, valor vital para o fluxo de caixa de ambos os clubes em meio às pressões financeiras da temporada. No Remo, a classificação consolidaria o projeto de Condé e a paz com a torcida; no Bahia, o montante serviria como um paliativo para a crise instaurada no Fazendão, embora uma eliminação precoce possa selar o destino da atual comissão técnica tricolor diante da insatisfação popular.

Na montagem das equipes, Léo Condé tem o retorno de Zé Ricardo, que, embora suspenso na Série A, está livre para atuar no torneio mata-mata. Já Ceni deve promover o retorno de Everaldo ao comando do ataque. As prováveis escalações são: Remo: Marcelo Rangel; Marcelinho, Marllon, Tchamba e Mayk; Zé Welison, Patrick e Zé Ricardo (David Braga ou Vitor Bueno); Pikachu, Jajá e Alef Manga. Bahia: Léo Vieira; Acevedo, David Duarte, Ramos Mingo e Luciano Juba; Erick, Jean Lucas e Everton Ribeiro; Erick Pulga, Sanabria (ou Kike Olivera/Ademir) e Everaldo. A arbitragem fica a cargo de Flávio Rodrigues de Souza (SP), com Charly Wendy Straub Deretti (SC) no comando do VAR.

O serviço de jogo para o "Fenômeno Azul" destaca a obrigatoriedade da biometria facial para acesso ao Mangueirão. Os ingressos de arquibancada para o Lado A (Remo) custam R60, comprec \c​ opromocionaldeR 50, enquanto o setor visitante (Lado B) está fixado em R$ 120. Para o torcedor de fora de Belém, o duelo terá cobertura completa e transmissão ao vivo pelos canais sportv e Premiere a partir das 21h30.

O cenário aponta para uma noite de afirmação azulina ou de um milagre histórico para o Esquadrão. Com a vantagem do empate e o peso de 7 a 2 no placar da temporada, o Remo entra em campo para confirmar que o Bahia é, de fato, o seu grande "freguês" de 2026. Resta saber se o peso da camisa tricolor e a necessidade de "honra" pregada por Ceni serão suficientes para superar a estatística, o tabu e a tempestade que promete cair sobre o Mangueirão.