Remo e o Sonho das Oitavas: O Fim do Jejum de 23 Anos na Copa do Brasil

Com a faca e o queijo na mão após vencer por 3 a 1 na ida, Leão Azul busca o xeque-mate no Bahia para encerrar hiato histórico sob o calor do Mangueirão.

Por Ana Martins

2026-05-13T17:03:52.079Z

O Clube do Remo entra em campo nesta quarta-feira (13), às 21h30, para um encontro com o destino no Estádio Mangueirão. O duelo de volta contra o Bahia, pela 5ª fase da Copa do Brasil, não é apenas mais uma partida: é a chance de uma geração inteira de remistas ver o clube retornar às oitavas de final da competição após um amargo jejum de 23 anos. O clima de decisão ferve em Belém, onde o Leão tenta consolidar o favoritismo construído em solo baiano e reafirmar sua soberania recente sobre o adversário.

A vantagem azulina é robusta. Após o triunfo por 3 a 1 na Arena Fonte Nova, o Remo pode até perder por um gol de diferença que ainda assim garante a vaga. Mais do que o prestígio esportivo de figurar entre os 16 melhores do país, está em jogo um fôlego financeiro vital: quem avançar abocanha uma premiação de R$ 3 milhões. Para o Leão, é o cenário ideal para coroar um início de temporada onde tem sido o verdadeiro "algoz" do Tricolor de Aço.

Sob o comando de Léo Condé, o Remo vive uma ascensão nítida, sustentada por um retrospecto acachapante de 7 a 2 no agregado contra o Bahia em 2026 (somando o 4 a 1 aplicado pelo Brasileirão e o 3 a 1 da Copa do Brasil). O técnico terá o reforço de peso do volante Zé Ricardo, que, suspenso no campeonato nacional, entra em campo com fôlego renovado e "sangue nos olhos" para ditar o ritmo no meio-campo. Vindo de resultados consistentes contra gigantes como Botafogo e Palmeiras, o time paraense parece ter encontrado o equilíbrio necessário para momentos de pressão.

Do outro lado, o Bahia desembarca em Belém em meio a um turbilhão. Rogério Ceni enfrenta seu pior momento em 2026, com um jejum de cinco jogos sem vitórias que colocou o treinador na corda bamba. A crise técnica é agravada por um departamento médico lotado: além de Willian José, Ronaldo e Caio Alexandre, o Tricolor não contará com o pilar defensivo Kanu e o atacante Ruan Pablo. Sem suas principais peças, Ceni terá que tirar um coelho da cartola para evitar o que parece ser um desfecho anunciado.

Para o Bahia, a missão exige contornos épicos e a quebra de tabus incômodos. O clube nunca conseguiu reverter uma desvantagem de dois gols na história da Copa do Brasil, tampouco se classificou fora de casa após perder a ida como mandante. Ceni admitiu que o grupo jogará "pela honra", mas a estatística é cruel com o visitante. Precisando vencer por três gols de diferença — ou dois para forçar os pênaltis —, o time baiano terá que lutar contra o peso da história e a fúria do Fenômeno Azul.

O fator campo terá o tempero extra das chuvas amazônicas. O INMET emitiu alerta amarelo com previsão de 30 mm/h e ventos de 60 km/h, cenário que já causou atrasos e gramados pesados contra Palmeiras e Vasco. Se em Salvador o Bahia já havia sofrido um "naufrágio" técnico sob tempestade, em Belém o Remo promete nadar de braçada novamente. O estilo de jogo físico do Leão se adapta melhor ao campo pesado do que o toque de bola técnico que o Bahia tenta, sem sucesso, implementar sob pressão.

A torcida promete fazer do Mangueirão um verdadeiro inferno para o adversário. A diretoria azulina aposta na casa cheia, com ingressos promocionais de "casadinha" para o Lado A saindo a R$ 50( arquibancada ) e R$ 100 (cadeira) cada — entradas individuais custam R$ 60 e R$ 120. A logística de acesso será rigorosa, operada via biometria facial, exigindo que o Fenômeno Azul chegue cedo para evitar filas e empurrar o time rumo à classificação histórica.

As prováveis escalações para a batalha são:

Remo: Marcelo Rangel; Marcelinho, Marllon, Tchamba e Mayk; Zé Ricardo, Zé Welison e Patrick; Pikachu, Jajá e Alef Manga. Bahia: Léo Vieira; Acevedo, David Duarte, Ramos Mingo e Luciano Juba; Erick, Jean Lucas e Everton Ribeiro; Kike Olivera (ou Ademir/Sanabria), Erick Pulga e Everaldo.

A noite reserva altas doses de drama e estratégia, sob o apito do árbitro paulista Flávio Rodrigues de Souza. Para quem não estiver no caldeirão, a transmissão ao vivo será garantida pelo SporTV e Premiere. É o jogo da vida para o Remo e o teste de fogo para a sobrevivência de Rogério Ceni no comando baiano. Em Belém, o futebol nacional para para ver se o Leão finalmente despertará de seu sono de 23 anos nas oitavas de final.